5 mudanças nos carros que foram incentivadas pelo governo
O mercado automotivo de cada país é moldado pelo gosto do público e pela legislação local. De tempos em tempos o governo cria regras que pode melhorar (ou não) vendidos em um local.
Desde 2025 que estamos vendo algumas mudanças nos carros brasileiros motivados pelo programa de Carros Sustentáveis. O foco dele é criar incentivos para veículos de baixas emissões para renovar a frota.
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De tabela ele acabou trazendo de volta os motores movidos apenas a etanol, movimento iniciado pelo Chevrolet Onix Eco. Listamos aqui cinco novidades que vieram para os carros nacionais graças a incentivos ou imposições do governo.
1. Carro a álcool

A crise do petróleo foi pesada para o Brasil. Além dos preços da gasolina subirem, o governo ordenou que os postos fechassem durante a noite e aos finais de semana, para reduzir o consumo.
Uma alternativa local foi incentivar o etanol, aproveitando as grandes plantações de cana de açúcar do Brasil. O primeiro carro movido a esse combustível no mundo foi o Fiat 147, lançado em 1979.
Para incentivar a venda dos carros a álcool foi liberara apenas a venda desse combustível durante os finais de semana. Durante os anos 80 eles eram a maioria em nosso país, principalmente na região sudeste.
O carro movido a etanol deixou de ser vantajoso durante os anos 90 e as opções diminuíram. Eles seguiram até 2006 para atender a licitações, taxistas e frotistas. Agora estão voltando por causa do programa de Carros Sustentáveis.
2. Motores flex

O primeiro carro flex do mundo foi o Volkswagen Gol Total Flex, lançado em abril de 2003. Ele poderia ter chegado antes, em 2000 a marca já havia um sistema pronto.
Tanto a Volkswagen quanto as concorrentes esperaram o governo definir os incentivos para os carros flex e a homologação da tecnologia. Isso veio em agosto de 2002, com a redução do IPI para 14% — mesmo valor cobrado para os motores apenas a álcool.
Na época existiu também reduções de IPVA para os carros flex em alguns estados, que desapareceu quando viraram norma. A primazia dessa tecnologia quase foi da Chevrolet com o Corsa, mas a VW adiantou a chegada do Gol Total Flex para comemorar os seus 50 anos de Brasil.
3. Carros 1.0

Esse é um item que muitos leitores vão considerar como negativo. Em 1990 o Governo Federal determinou que os carros com motores entre 800 cm³ e 1 litros recolheriam 20% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), metade da alíquota para motores maiores.
A Fiat foi a marca mais rápida a colocar um 1.0 no mercado, desenvolveu uma versão de 994,4 cm³ do motor Fiasa em apenas 60 dias. Ela reduziu o curso dos pistões na versão 1.050 do propulsor, que foi usada pelo 147 e estava em produção para exportação.
Para deixar o preço ainda menor, o pacote de equipamentos era bem espartano e removia itens como os apoios de cabeça, termômetro do motor, bancos reclináveis, servofreio e a quinta marcha.
Esse imposto menor para os carros 1.0 existe até hoje e as marcas seguem fazendo motores assim para o Brasil. Um exemplo é o Chevrolet Onix, que é 1.2 aspirado na Argentina enquanto aqui é 1.0. Os motores turbo também possuem o IPI menor.
4. Airbag duplo e ABS

Na hora de comprar um carro novo o brasileiro sempre deu preferência a itens estéticos ou de conforto a um equipamento de segurança. Durante os anos 2000 o ABS e os airbags dianteiros eram oferecidos como opcional em compactos como o Volkswagen Gol, o Fiat Palio e o Chevrolet Corsa, mas são raros os equipados com esses recursos.
A aceitação era tão baixa que alguns modelos pararam de oferecer o recurso. O Gol G4 foi um deles, o modelo vendido para frotas que exigiam o recurso e o de exportação usavam o painel do G3 pois o oferecido para o público geral nem tinha onde colocar as bolsas.
Até mesmo alguns modelos médios vinham sem, como o Volkswagen Golf e o Chevrolet Astra. Em 2014 eles passaram a ser obrigatórios para todos os carros vendidos no Brasil, com exceções para buggies e jipes.
Isso acabou ceifando dois modelos icônicos de nosso mercado: o Fiat Uno Mille, lançado em 1984, e a Volkswagen Kombi, de 1955. Ambos fabricantes estudaram a instalação dos equipamentos de segurança obrigatórios antes de decidir por encerrar a produção.
5. Controles de tração e estabilidade

Após a obrigatoriedade do airbag e do ABS os carros nacionais passaram a evoluir mais rápido em segurança. O consumidor passou a cobrar pelas bolsas laterais e de cortina em carros médios, assim como os controles de tração e de estabilidade.
Esses assistentes de segurança eram de implementação simples, pois compartilham o módulo e sensores do ABS. Mas para muitos fabricantes a segurança era tratada como luxo, um exemplo famoso era o Toyota Corolla que só foi ter controle de tração em 2017.
O governo decidiu que todos os carros novos lançados no Brasil deveriam ter os controles de tração e estabilidade a partir de 2022. Esses equipamentos passaram a ser obrigatórios em todos os carros vendidos no país a partir de 2024.
Ao contrário do que aconteceu em 2014, não tivemos carros saindo de linha por causa disso. O Renault Logan, por exemplo, recebeu os recursos e foi vendido assim por apenas alguns meses antes de sair de linha. Uma prova de como era simples deixar os carros mais seguros.
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