Brasil no meio? Por que a Volkswagen estuda demitir 100 mil trabalhadores no mundo todo
A Volkswagen avalia a maior reestruturação de sua história, com o corte de até 100 mil empregos no mundo — cerca de um em cada seis postos do grupo, que emprega aproximadamente 625 mil pessoas. As medidas, ainda não confirmadas pela montadora, foram reveladas pela revista alemã Manager Magazin e confirmadas pela Reuters, e incluem fechamento de fábricas, cortes administrativos, redução de investimentos e mudanças na estrutura organizacional.
O plano é estudado pelo CEO Oliver Blume e pelo diretor financeiro, Arno Antlitz, depois de o lucro do grupo despencar 44% em 2025, em meio ao avanço da concorrência chinesa e ao impacto das tarifas americanas. Entre as propostas está o encerramento gradual da produção de quatro fábricas na Alemanha: as plantas da Volkswagen em Hanover, Emden e Zwickau e a unidade da Audi em Neckarsulm deixariam de montar veículos ao fim do ciclo de vida dos modelos atuais, sem paralisação imediata.
Só essas quatro unidades reúnem mais de 45 mil trabalhadores que podem ser diretamente atingidos. Os cortes se somariam a um plano firmado com o sindicato no fim de 2024, que já previa a eliminação de cerca de 50 mil vagas na Alemanha até 2030 — ou seja, o novo número dobraria a redução total. Até o momento, mais de 28 mil acordos de desligamento já haviam sido assinados em Volkswagen, Audi, Porsche e na unidade de software Cariad.
A reestruturação prevê ainda separar a marca Volkswagen e a divisão de componentes em empresas independentes, movimento que, segundo a Manager Magazin, busca simplificar a gestão e dar mais flexibilidade ao grupo. O pacote contempla também o recuo de cerca de 15% nos investimentos planejados, que cairiam para pouco mais de 130 bilhões de euros (cerca de R$ 766 bilhões) nos próximos cinco anos.
A Volkswagen não confirmou os detalhes e disse não comentar “documentos confidenciais”, mas afirmou que todo o grupo “precisa passar por uma mudança profunda” para se manter competitivo. Blume já declarou, no entanto, que o fechamento puro e simples de fábricas não é sua opção preferida, citando alternativas como produzir na Alemanha modelos de projeto chinês ou repassar unidades a outras montadoras e a empresas de defesa.
O sindicato IG Metall e o conselho de fábrica reagiram e prometeram resistir. Em comunicado conjunto, afirmaram que fariam tudo o que estivesse ao alcance para barrar eventuais cortes — uma ameaça com peso real, já que os representantes dos trabalhadores ocupam metade das cadeiras no conselho de supervisão. O tema deve ser discutido na reunião do colegiado marcada para 9 de julho.
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