BYD nega abusos, mas segunda morte em sua fábrica na Europa reacende escândalo trabalhista
Um segundo trabalhador morreu durante as obras da fábrica da BYD em Szeged, no sul da Hungria, o que intensifica o escrutínio sobre as condições de trabalho no maior projeto da montadora chinesa na Europa. O acidente ocorreu em 18 de junho, cerca de quatro meses após a primeira morte registrada no canteiro.
Segundo o Serviço Nacional de Ambulâncias da Hungria, equipes de resgate, incluindo um helicóptero, foram mobilizadas, mas a vítima — um cidadão chinês — não resistiu. De acordo com a polícia do condado de Csongrád-Csanád, o trabalhador teria sido atingido por um caminhão ao passar entre o veículo e uma carregadeira no momento em que o motorista retomava a marcha. As autoridades investigam as circunstâncias do acidente. A primeira fatalidade, em fevereiro, havia ocorrido durante uma operação de içamento com guindaste.
O caso vem à tona poucas semanas depois de a vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, negar denúncias de abusos trabalhistas na obra e afirmar que a empresa recebe normalmente as inspeções das autoridades. Procurada pela CNBC, a montadora não comentou a nova morte; em nota à imprensa húngara, disse estar “profundamente chocada” e afirmou colaborar com as autoridades.
A apuração também envolve a AIM Construction Hungary, subsidiária da construtora ligada ao escândalo trabalhista da BYD no Brasil, em 2024, quando operários foram resgatados em condições análogas à escravidão em Camaçari (BA). A empresa foi multada em 34,5 milhões de florins (cerca de R$ 570 mil) por falhas em segurança ocupacional e advertida por outras irregularidades, como o registro tardio de funcionários. Outras duas prestadoras de serviço receberam sanções por infrações ligadas ao cadastro de trabalhadores e à supervisão das atividades.
No início do ano, a ONG China Labor Watch, sediada em Nova York, publicou um relatório com denúncias de trabalho forçado no canteiro, incluindo jornadas de sete dias por semana e retenção de salários. Segundo a entidade, houve avanços pontuais — como a redução da escala para seis dias —, mas trabalhadores ainda relatam vigilância das comunicações e punições a quem expõe as condições do local.
A unidade de Szeged será a primeira fábrica da BYD na Europa e é peça central da estratégia da empresa para escapar das tarifas impostas pela União Europeia aos carros elétricos chineses. A companhia enfrenta no bloco uma sobretaxa de 17% sobre os elétricos importados da China, além da tarifa-padrão de 10% para automóveis — barreira que a produção local pretende contornar. Segundo a montadora, a produção em escala está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
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