Moto zero ou usada? Saiba o que avaliar para pagar menos

O mercado de motos cresce cada vez mais no Brasil, seja entre as zero quilômetro, procuradas por quem quer fugir da alta dos carros ou do trânsito, seja entre as usadas, buscadas muitas vezes por quem quer escapar dos preços das novas. Mas aí vem a grande questão: vale mais a pena adquirir uma moto usada ou pagar um pouco mais por uma zero quilômetro novinha?

Colocamos na ponta do lápis os principais valores, considerando a moto mais comercializada do país, e comparamos a aquisição de uma moto nova com o que uma usada pode custar, levando em conta as manutenções mais comuns e necessárias.

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Obviamente, a moto usada é mais barata

A moto mais vendida do Brasil há décadas é a cinquentenária Honda CG, que sozinha emplaca cerca de 20% de toda a frota zero quilômetro do país todos os anos, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Tomamos a versão 160 Titan como base para o levantamento. Segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), referência no mercado de preços de veículos, a Honda CG 160 Titan zero quilômetro custa hoje no Brasil, em média, R$ 24.106.

Honda CG 160 2026
Honda CG 160 Titan (Foto: Honda | Divulgação)

Quando comparada com o mesmo modelo ano 2026, mas já usado, o valor cai para R$ 21.691. Essa depreciação de 10,02% representaria uma economia de R$ 2.415 no bolso do consumidor.

Mas e os outros encargos?

O ponto é que não é apenas a aquisição da motocicleta que conta. Uma moto zero quilômetro ainda tem, de imediato, as despesas de emplacamento, licenciamento e IPVA.

Todas elas variam de estado para estado. Em São Paulo, estado com a maior frota de motocicletas do país, a taxa de licenciamento veicular custa R$ 174,08 e o IPVA corresponde a 2% do preço do modelo na Tabela Fipe, o que, no caso da moto em questão, seria R$ 482,12. Importante ressaltar que, no caso de veículos novos, o imposto é proporcional ao período restante do ano. Ou seja, se a compra for realizada no meio do ano, a cobrança será reduzida. Em junho de 2026, o IPVA da moto em questão é de R$ 281,24.

Esses valores podem ser considerados médios para todos os estados, uma vez que poucos como Minas gerais tem um licenciamento muito mais barato (R$ 35,62) e o IPVA também tem essa porcentagem em vários outros estados – embora alguns cobrem 1% ou até já possuem isenção a depender do tamanho da moto.

Por fim, no estado paulista, o emplacamento custa R$ 31,47 pela taxa de autorização e R$ 143,34 pela placa.

Preço de uma moto zero quilômetro em São Paulo

  • Honda CG 160: R$ 24.106
  • Licenciamento: R$ 174,08
  • IPVA: R$ 281,24
  • Emplacamento: R$ 174,81
  • Total: R$ 24.736,13

No caso da moto usada, os custos são outros. Ela já vem emplacada, e o licenciamento e o IPVA dependerão do acordo com o antigo proprietário, mas é comum que o comprador adquira o modelo já quitado.

Partindo desse cenário, os custos serão com a manutenção. Uma moto usada em excelente estado de conservação ainda exige, no mínimo, a troca de fluidos e filtros. Óleo do motor, fluido de freio, fluido do garfo da suspensão, além dos filtros de combustível, óleo e ar, devem ser substituídos para garantir o perfeito funcionamento de todos os sistemas. Cachimbo e vela também costumam ser trocados.

óleo de moto
A troca de óleo do motor da moto é a revisão mais importante para o funcionamento do motor (Foto: Shutterstock)

Todos esses itens são considerados de baixo custo de manutenção, e o novo proprietário só terá de desembolsar quantias mais elevadas caso precise substituir componentes danificados ou itens de desgaste mais caros, como discos de freio e pneus.

Quem quiser economizar ao máximo pode trocar apenas o óleo e o filtro do motor, além do fluido de freio.

Preço de uma moto usada e manutenções primordiais

  • Honda CG 160: R$ 21.691
  • Kit revisão (óleo, filtros e vela / média de preço sem mão de obra): R$ 250
  • Total: R$ 21.941

No fim, qual vale mais a pena?

Apesar de a matemática do exemplo acima mostrar que, claramente, a moto usada é a opção mais vantajosa financeiramente, ainda mais se for uma moto mais antiga e barata, tudo dependerá do estado de conservação do veículo.

Como já apontado aqui no AutoPapo, uma moto popular muito danificada pode facilmente custar mais de R$ 5.000 apenas em peças de reposição. É um risco ao qual o cliente deve estar atento na hora de adquirir uma motocicleta com garantia curta ou sem nenhuma garantia.

A moto zero quilômetro costuma vir com garantia de três a cinco anos, além da certeza de que todos os componentes são novos e de que a probabilidade de um problema repentino é muito baixa.

O consumidor deve sempre analisar cada caso para não acabar comprando o barato que sai caro ou até mesmo deixando passar uma oportunidade mais vantajosa.



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