Relembre, em detalhes, todas as 10 gerações da Honda CG – e alguns fatos!
Responsável pela popularização da motocicleta no Brasil, a Honda CG, produzida em Manaus (AM), completa 50 anos e contando. Muito mais que um meio de transporte, a pequena utilitária é uma espécie de pau para toda obra, com mais de 15 milhões de unidades comercializadas.
Não foi o Fusca, o Volkswagen Gol, ou o Fiat 147 e o Uno juntos. O veículo mais vendido da história do Brasil é a motocicleta Honda CG que está completando 50 anos, inclusive com uma edição especial comemorativa. Já são mais de 15 milhões de unidades, desde a primeira, apelidada de CG 125 Bolinha, que saiu da linha de montagem da fábrica construída em Manaus, Amazonas, em fins de 1976. Em um cálculo aproximado, cerca de oito brasileiro em cada grupo de 100, já levaram uma CG para sua garagem. Cerca de 8% da população brasileira. Um verdadeiro fenômeno.
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O fenômeno é ainda mais notável, pelas características geográficas da fábrica instalada em Manaus, na região amazônica, que exige uma logística insana. O acesso por terra até existe, mas é inviável por rodovia não pavimentada, a desafiadora BR-319, com 885 km, que liga Manaus a Porto Velho que só é transitável em períodos secos, o que praticamente não existe.
Desta forma, o abastecimento de insumos para a fábrica e o despacho de motos, se dá por balsas até Belém e de lá por carretas ou cabotagem para o restante do Brasil em um processo que pode levar mais de um mês.
Todo esse perrengue é compensado pelos incentivos fiscais, isenção de vários impostos, proporcionados pela Zona Franca de Manaus, que reduzem o preço final da CG e justificaram a instalação da fábrica no Amazonas, ignorando o polo metalúrgico da região sudeste.
Porém, a distância também provocou efeitos colaterais. Sem fornecedores de componentes por perto, a fábrica de motos da Honda em Manaus, passou a produzir partes que normalmente seriam adquiridas no mercado. Rodas, bancos, tubos, etc, transformaram a fábrica da CG na mais verticalizada do mundo. Produz e manufatura o modelo e não apenas monta a moto.
Ao longo do tempo a Honda passou a também produzir outros tipos de motos, que vão de 110 a 1.100 cm3. Entretanto, a CG e suas versões, ainda responde por cerca de um terço de todo o volume da marca no Brasil.
Trajetória
A CG, City General (uso urbano geral em tradução livre), foi baseada na CB 125 importada, adaptada para as condições brasileiras. A CG 125 bolinha de 1976 que ficou praticamente sem alterações até 1982, tinha motor de um cilindro arrefecido a ar, com comando de válvulas por varetas, sem qualquer sofisticação, porém robusta e durável.
Outra característica curiosa era o câmbio. Apenas quatro marchas, operadas “para baixo” e não “para cima”, como padronizado atualmente. O motor OHV carburado, rendia 11 cv. Para popularizar a CG 125 nacional, a campanha publicitária de lançamento contou com um garoto propaganda de peso. Edson Arantes do Nascimento. O Pelé.
De 1976, quando a primeira CG 125 deixou a linha de montagem, até a apresentação da CG comemorativa Special Edition em 2026, meio século depois, foram 10 gerações e diversas versões e modelos em um desenvolvimento constante
CG a álcool e nas pistas de corrida

Entretanto, outra curiosidade. Em 1981, com as consequências da crise do petróleo, foi lançada a CG 125 a álcool. A primeira do mundo com este combustível. Porém, não dispensava um tanquinho de gasolina debaixo do banco, para ajudar nas partidas em dias frios.
Antes disso, em 1978, a CG chegou às pistas com a CG 125 Fórmula. Uma competição monomarca com motos iguais, seguindo os conselhos de Soichiro Honda, fundador da Honda, que a Honda não existe sem as competições. Na mesma linha, entre 1976 e 1990, durante a proibição das importações, os modelos CG foram adaptados para competir no fora de estrada nacional.

Segunda geração
A segunda geração, que foi de 1983 a 1988 trouxe alterações visuais e principalmente mecânicas. Finalmente o sistema elétrico passou de 6 para 12 Volts, os freios e suspensões ficaram mais eficientes. O câmbio também finalmente ganhou cinco marchas, com acionamento universal, e em 1988 é lançada a CG 125 Cargo, para uso comercial. Uma espécie de premonição para a explosão do delivery durante a pandemia anos depois. Nesta época, outra serventia para uma moto utilitária. Passou a substituir animais, como o cavalo e o jegue na lida sertaneja.

Terceira geração da CG: 1989 a 1994

A terceira geração vai de 1989 a 1994. É a vez da CG 125 Today, que além de mudanças radicais no visual, aposenta o famigerado platinado, adotando o CDI. Além disso, os amortecedores traseiro ganham cinco regulagens e o farol, lâmpadas halógenas. Vários ajustes mecânicos também foram implementados.
Honda CG Titan

A quarta geração, entre 1995 e 1999, marcou o lançamento da CG 125 Titan, com novo visual mais arredondado e 90 alterações mecânicas. Alças laterais para o garupa, embreagem com acionamento mais leve, novos balancins e painel. Contudo ainda persistia o carburador.
A quinta geração, entre 2000 e 2003, ainda como Titan, trouxe a versão ES com a aguardada partida elétrica e finalmente o freio dianteiro a disco. Além disso, o painel ganha marcador de combustível e o pneu traseiro sistema antifuro.
Sexta geração

A sexta geração, que vai de 2004 a 2009 chega com aumento na capacidade do motor que de 125, saltou para 150 cm3. Para o garupa alívio nas trepidação com os pedais de apoio fixados no quadro. Além do visual renovado, a chave de contato ganhou um sistema de segurança shutter-key para dificultar a vida dos amigos do alheio. Neste período também foram lançadas as CG 150 Job, evolução da Cargo, CG 125 Fan (volta para 125) e CG 150 com 15,3 cv, comando mais bravo e rodas em liga leve.
Honda CG 2009 a 2013: com injeção eletrônica

A sétima geração entre 2009 e 2013, entra finalmente na era eletrônica,aposentando o carburador com adoção da injeção eletrônica. A CG 150 Titan, com a nova injeção de combustível, também pode adotar o sistema flex entre álcool e gasolina. Foi a primeira moto de série a adotar o motor flex. O tanque também ficou maior, com 16,1 litros. O modelo Fan 125 também recebe injeção eletrônica e motor com corrente de comando OHC, descontinuando o antigo motor OHV com varetas.
Capotamento?
A oitava geração teve vida curta entre 2014 e 2015. O visual, foi mais uma vez reformulado e é lançado em edição de apenas 1800 unidades da CG 150 Titan BR, com as cores do Brasil. A CG 150 CBS de 2015, tornou-se a primeira moto do mundo na categoria Street a utilizar o sistema CBS. Combined Brake System de frenagem.
Ao acionar o freio traseiro, parte da carga também ia para o freio dianteiro automaticamente. Isso para desmistificar a lenda que acionando o freio dianteiro, a moto poderia capotar. Em 2015 também foi lançada a versão CG 150 Start.
Nona geração
Em sua nona geração, de 2016 a 2021, a CG 160 Titan e CG 160 Fan receberam outro fermento no motor que saiu de 150 para 162,7 cm3. A estética também foi alterada. A linha profissional Cargo tem as versões 125 injetada e 150 injetada e é lançada a edição especial de 25 anos da Titan com pintura exclusiva e detalhes em dourado. O período da pandemia evidenciou o segmento do delivery, proporcionando renda para um enorme contingente, além de acelerar as vendas dos modelos utilitários, como a CG.
Está valendo

A décima geração começa em 2022 e está valendo até os dias atuais. Em 2022 a CG 160 Titan ganha nova frente e as carenagens do tanque ficam mais volumosas em um visual bem mais encorpado. Em 2024 a produção atinge 15 milhões de unidades. Em 2025 a CG Titan 160 mais completa ganha iluminação em led, freio a disco nas duas rodas, com sistema ABS na dianteira e tomada USB-C.
O modelo comemorativo das cinco décadas, CG 160 50 Anos, “Special Edition” tem grafismo e cor exclusivos. O tom remete à pioneira de 1976. os amortecedores traseiros são pintados de vermelho. A chave de contato tem o logo decorativo dos 50 Anos, assim como nas laterais do tanque de combustível e no pára-lamas dianteiro. As rodas são em liga leve e os freios ABS. O painel é digital com fundo blackout. A tomada USB-C também está presente para atender a era do smartphone – o famoso celular.
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