Balsa mais rápida do mundo passa dos 100 km/h e homenageia papa Francisco na travessia entre Argentina e Uruguai

Alcançar 108 km/h pode parecer trivial para um automóvel — é velocidade de cruzeiro em muitas rodovias —, mas, para uma embarcação de 99 metros de comprimento que transporta mais de mil passageiros e 150 veículos, é surpreendente. A marca é atingida pela HSC Francisco, apontada como a balsa de passageiros mais rápida em operação no mundo.

Construída pelo estaleiro australiano Incat, em Hobart, na Tasmânia, e operada pela argentina Buquebus, a embarcação faz a travessia de cerca de 225 quilômetros entre Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai, sobre as águas do Rio da Prata. A rota é uma das principais ligações entre os dois países e, feita em alta velocidade, encurta de modo expressivo o tempo de viagem em relação a embarcações convencionais. Batizada em homenagem ao papa Francisco, argentino, ela comporta até 1.024 passageiros e 150 automóveis e conta com loja duty-free, bar e áreas VIP.

Balsa HSC Francisco
Balsa movida a gás foi feita na Austrália (Foto: Manuel Mohedano Torres | Shipspotting)

O desempenho vem de duas turbinas a gás GE LM2500, de origem aeronáutica, cada uma com cerca de 59.800 cv, somando aproximadamente 119.600 cv. O conjunto aciona dois jatos d’água axiais Wärtsilä LJX 1720 SR, responsáveis por levar a embarcação a até 108 km/h (cerca de 58 nós). Cada sistema movimenta em torno de 24 mil litros de água por segundo. Segundo a GE, a família LM2500, em desenvolvimento contínuo desde 1969, acumula índice de confiabilidade superior a 99% e equipa boa parte da frota de navios a turbina da Marinha dos Estados Unidos.

Além da potência, o desempenho depende diretamente da engenharia. Assim como um carro potente é inútil se não consegue transferir força ao solo, uma embarcação precisa de um projeto capaz de aproveitar toda a energia disponível. A HSC Francisco adota um catamarã com casco perfurador de ondas, configuração que corta a água com menor resistência, mantém a estabilidade em alta velocidade e reduz o desconforto dos passageiros durante a travessia.

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Formato do casco ajuda a quebrar as ondas da bacia do rio da Prata (Foto: Manuel Mohedano Torres | Shipspotting)

Os dois cascos ainda abrigam os tanques de gás natural liquefeito (GNL), combustível da embarcação, o que libera espaço para a área de passageiros. O interior se distribui em diferentes níveis: garagem para veículos na base, classe econômica com lojas, banheiros e bares no nível intermediário e lounges de primeira classe e áreas VIP acima. A combinação de dois cascos permite conciliar a alta capacidade de carga com a velocidade recorde, difícil de obter em projetos de casco único.



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