Como o Honda Fit colocou a marca no cenário dos compactos globais
O Honda Fit completou 25 anos de seu lançamento global em junho. O hatch foi o primeiro compacto moderno da marca japonesa a nascer com pretensões globais e veio com soluções de minivans para deixar o interior mais prático.
Durante esses 25 anos, o Fit foi vendido em 123 países e produzido em 11 nações diferentes, incluindo o Brasil. Em 2019, quando a quarta geração foi apresentada, a Honda contabilizou mais de 7,5 milhões de unidades vendidas.
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Atualmente, a Honda tornou o Fit menos global; em alguns países do Sudeste Asiático e na América Latina, ele deu lugar ao City Hatch. O foco passou a ser o Japão, a Europa e alguns outros mercados pontuais, como a Austrália e a África do Sul. Pelo menos no Brasil, ficou uma legião de fãs desamparados.
Como o primeiro Honda Fit nasceu
É um fenômeno comum que os carros cresçam a cada geração e subam de categoria. O carro compacto global da Honda desde os anos 70 era o Civic, mas, conforme ele crescia, foi criando um vácuo na linha. Abaixo dele, nos anos 80, veio o City, que foi sucedido na década seguinte pelo Logo.
Esses modelos não eram globais como o Civic e não tinham vendas fortes. O CEO da Honda, Hiroyuki Yoshino, ficou preocupado com essa falta de expressão em um segmento tão importante como o dos compactos e temia que isso pudesse colocar a marca em uma situação difícil.
Hiroyuki Yoshino tomou para si a responsabilidade de criar um compacto global e chamou Takeo Fukui, presidente do setor de pesquisas, para liderar o projeto. O projeto do Fit nasceu com plataforma, motor e câmbio novos, que seriam usados por outros modelos.
A estreia do Honda Fit no Japão, em 2001, foi um sucesso; em seu primeiro ano completo de vendas, quebrou o domínio de 33 anos do Toyota Corolla. Em 2003, já atingia a marca de 500 mil carros vendidos só em seu país natal.
Foco no espaço interno
A arquitetura chamada de Global Small Platform trazia uma inovação: o tanque de combustível era localizado abaixo dos bancos dianteiros. O normal é ficar sob o assento traseiro. O resultado disso era um assoalho mais baixo e plano para a parte traseira.
Os carros da moda na época eram as minivans, o Fit foi inspirado nesse tipo de veículo no estilo e nas soluções práticas do interior. A mais famosa é o sistema Magic Seat, que permite levantar o assento do banco traseiro ou rebatê-lo de forma que fique plano com o assoalho do porta-malas. Ele também permite deitar o encosto dianteiro para formar uma cama.
O engenheiro Kohei Hitomi disse que a inspiração do sistema Magic Seat veio após a equipe de design passar horas observando as pessoas em um supermercado e como elas armazenavam suas coisas. Com o assento levantado, fica uma área vertical de 1,28 metro para carga; com o banco traseiro e o do passageiro dianteiro rebatidos, é possível levar objetos de até 2,4 metros.
O primeiro Honda Fit mede 3,83 m de comprimento, 1,67 m de largura, 1,52 m de altura e 2,45 m de entre-eixos. Para os padrões atuais é diminuto, apenas 10 cm mais longo que um Renault Kwid e 8 cm mais largo, o entre-eixos é o mesmo de um Ford Ka de primeira geração.
Mas, graças ao formato de minivan e à posição do tanque, o Fit comporta quatro adultos com conforto, o quinto passageiro vai apertado. O porta-malas leva 353 litros no método VDA, melhor que o de muitos SUVs atuais. Na época, ele tinha a segunda maior altura interna de cabine dentro da Honda, perdendo apenas para a minivan grande Odyssey.
O interior tinha aspecto jovial, usando plásticos com vários pontos em baixo-relevo e tecido colorido; no Brasil, veio o acabamento em azul. O quadro de instrumentos com três mostradores circulares em molduras diferentes era algo novo para a época.
A Honda quis manter um bom padrão de acabamento no Fit, por isso ele tinha forração de tecido generosa nas quatro portas e vedação dupla nelas. Como a linha de cintura é baixa e o teto é alto, a área envidraçada é ampla. Essas características foram mantidas no compacto nas gerações seguintes.
Motor tão eficiente quanto a cabine
Todo o projeto do Honda Fit foi definido pela eficiência. Por isso, ele trouxe um conjunto mecânico totalmente novo sob o capô. O motor da família L era mais compacto que o de seu antecessor, da família D.
A primeira versão foi um 1.3 (1.339 cm³), que no Brasil e na Europa foi arredondado para cima e chamado de 1.4. O motor L é todo feito em alumínio, tem distância menor entre os cilindros que os anteriores, traz comando sincronizado por corrente metálica, utiliza bobinas individuais e duas velas por cilindro.
Isso mesmo: o pequeno quatro cilindros do Honda Fit utiliza oito velas e, por consequência, oito bobinas. Esse sistema se chama i-DSI; as velas trabalham de forma sequencial em diferentes padrões de acordo com a rotação, velocidade e carga do acelerador, para gerar uma queima mais eficiente do combustível.

Curiosamente – para um Honda –, o motor possui apenas duas válvulas por cilindro, para priorizar o torque em baixas rotações. O 1.3 do primeiro Fit rende 80 cv a 5.700 rpm e 11,8 kgfm a baixos 2.800 rpm.
Esse torque em baixa deixa o carro esperto em arrancadas e na cidade, mas na estrada os 80 cv são similares aos de um 1.0 atual. Para quem desejava mais força, havia um 1.5 da mesma família, com 16 válvulas, comando variável VTEC e ignição convencional de uma vela por cilindro. Ele entregava 105 cv e 14,2 kgfm.
O câmbio podia ser manual de cinco marchas ou CVT, ambas as caixas eram projetos novos. O CVT do Fit de primeira geração utilizava acoplamento por embreagem, assim como as scooters. Dessa forma, ele rouba menos potência do motor do que um conversor de torque.
Para completar esse pacote de eficiência estava a direção com assistência elétrica, que alivia o motor de mais um periférico e ocupa menos espaço no cofre. No Brasil, ele foi o segundo carro nacional com esse recurso, atrás apenas do Fiat Stilo.
O Honda Fit ao redor do mundo
No Brasil, conhecemos o Honda Fit por ser um carro com gama enxuta. Foi lançado nas versões LX e LXL, que já vinham com ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores com regulagem elétrica, direção assistida, airbag para o motorista e banco traseiro bipartido. O modelo topo de linha só adicionava o airbag do passageiro, freios com ABS e EBD, CD-player e rodas de liga leve.
Em 2005, veio o motor 1.5 na versão EX, que trazia mudanças apenas de acabamento, rodas com desenho diferente e quadro de instrumentos que ficava sempre aceso. O facelift da linha 2007 mudou os para-choques, as rodas e trouxe máscara cromada aos faróis das versões LXL e EX.
Lá fora, o Fit podia vir em versões menos equipadas que aqui ou com alguns luxos que passaram longe do Brasil. No Japão, existiu uma versão chamada Y, com rodas de aço sem calotas, sem rádio, com maçanetas e retrovisores sem pintura e com vidros manuais nas quatro portas.

Lá também existiram versões com tração integral, para as regiões onde neva muito. Era um sistema de tração simples e que vinha acompanhado de um câmbio automático de cinco marchas. Os japoneses também podiam ter o Fit com navegador GPS.
Na Europa, o Honda Fit foi vendido como Jazz e ofereceu alguns equipamentos sofisticados: rebatimento elétrico dos retrovisores, seis airbags, teto solar, sistema de som com tweeter, ar-condicionado automático e simulação de 7 marchas no câmbio CVT.
O último país a receber o compacto foram os EUA, apenas em 2006. Para atender às legislações locais, foi preciso utilizar para-choques maiores e redesenhar o painel, perdendo a prática bandeja na parte inferior. O único motor oferecido foi o 1.5 VTEC, com câmbio manual ou automático.
O primeiro Fit atingiu o objetivo da Honda de ser um carro compacto global bem-sucedido. Hoje, ele segue com uma legião de fãs, seja pela eficiência ou pelo bom comportamento dinâmico.
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