Presidente da Tchéquia trabalhou de fotógrafo em GP da Fórmula 1 por motivo surpreendente
O presidente da República Tcheca (ou Tchéquia), Petr Pavel, passou o último fim de semana no circuito de Hungaroring, em Budapeste, na Hungria, onde ocorreu a última etapa da Fórmula 1. O mandatário, entretanto, não estava na área VIP reservada a chefes de Estado, mas encostado no gradil da pista, de bermuda, camiseta e uma credencial de fotógrafo da FIA no peito.
Pavel acompanhou o GP da Hungria de F1 dos pontos designados de fotografia, o mesmo espaço em que trabalham os fotógrafos de agências internacionais. O líder fez imagens no sábado, durante os treinos, e voltou no domingo (26), quando Lando Norris venceu a prova à frente de Max Verstappen e Kimi Antonelli.
A cena do presidente agachado com uma lente teleobjetiva rodou o mundo em poucas horas, publicada pelos perfis oficiais da F1, pelo jornal francês L’Équipe e pela ESPN. Antes da corrida, no pit lane, ele conversou com Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, e com o primeiro-ministro húngaro Péter Magyar, que divulgou o encontro nas redes sociais. A segurança presidencial ficou por perto o tempo todo, inclusive nos boxes.
Por que um presidente tem credencial de fotógrafo?

O presidente Petr Pavel mantém há anos o projeto Objektivem Petra Pavla (“Pela lente de Petr Pavel”), que transforma suas fotos de automobilismo em reproduções assinadas de grande formato e as leva a leilão. Em 13 pregões, a iniciativa já arrecadou 668.355 coroas tchecas (cerca de R$ 160 mil) para o fundo beneficente da primeira-dama, Eva Pavlová, segundo a imprensa local.
À beira da pista ele não estava sozinho: um delegado da FIA pediu ao fotógrafo tcheco Jiří Křenek, credenciado pela Mercedes e pelo Porsche Supercup, que acompanhasse o presidente pelos pontos de trabalho do circuito. Křenek contou ao jornal Deník que não houve tempo para orientações antes do treino, e que também não era necessário: em fotografia de automobilismo, Pavel não é novato.
General da reserva e ex-presidente do Comitê Militar da Otan, o presidente da Tchéquia é motociclista e usa boa parte das folgas em autódromos. Em janeiro de 2025, passou cinco dias acampado em barraca no Rally Dakar, na Arábia Saudita, e as fotos da viagem foram expostas no Museu Técnico Nacional, em Praga. Em junho deste ano fotografou as 24 Horas de Le Mans, já chegou de moto ao GP de MotoGP de Brno, dirigiu um carro de NASCAR e apareceu em maio no GP de speedway de Praga.
A bermuda que dividiu o país
O despojo do líder tcheco, usando bermudas, entretanto, gerou opiniões mistas entre os cidadãos do país. O analista de mídia Vadim Petrov, por exemplo, afirmou que o episódio expõe a vulgarização do cargo. Do outro lado, Ladislav Špaček, especialista em etiqueta e ex-porta-voz de Havel, disse que Pavel tem perfil esportivo e direito ao short naquele ambiente. A estilista Štěpánka Pivcová acrescentou que seria estranho aparecer no Hungaroring de terno e gravata sob o calor do verão europeu.
Entre fotógrafos, a polêmica foi outra. Usuários do Reddit notaram que o presidente alterna corpos Canon e Nikon no mesmo trabalho, sacrilégio bem maior, no meio, do que uma bermuda em dia de corrida.
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