Pneus de carros elétricos duram menos, mas e os amortecedores?

O motor dos carros elétricos não precisa de revisão periódica como um a combustão, por isso as manutenções programadas são focadas em suspensão, pneus, freios, fluídos e filtros. Alguns desses componentes são específicos para esses veículos, como os pneus, mas e os amortecedores?

Um carro elétrico costuma ser mais pesado que um equivalente a combustão devido ao pacote de baterias. Um exemplo claro disso é com o Renault Kwid, que pesa 820 kg com o 1.0 flex e 969 kg no modelo E-Tech.

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Como ele é mais pesado, o Kwid E-Tech utiliza componentes diferentes na suspensão quando comparado ao modelo flex (Foto: Renault | Divulgação)

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Essa diferença no peso e a distribuição dele exigem mudanças nos sistemas de freio e suspensão. Em um carro a combustão de tração dianteira a maior parte do peso fica sobre o eixo dianteiro, em um elétrico a parte mais pesada é o conjunto de baterias no assoalho.

Segundo a Renault, o acerto da suspensão leva em conta diversos fatores, não apenas o tipo de motorização:

Este conjunto é regulado para cada carro considerando itens como a massa, entre eixos e a vocação do veículo, se mais esportivo ou mais confortável, por exemplo. Portanto, a regulagem do conjunto de suspensão (que inclui os amortecedores) não depende do tipo de motorização.”

A construção de um amortecedor para carros elétricos possui construção similar ao feito para um modelo a combustão. As diferenças maiores são na carga e acerto, para lidar com as diferenças de peso.

O diretor de Eletromobilidade da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Eduardo Zambelli, explica isso com mais detalhes:

Nesse contexto, veículos elétricos não demandam, por princípio, uma arquitetura de amortecedor distinta, porém apresentam particularidades relevantes do ponto de vista de engenharia. Entre elas destacam-se:

  • Maior massa veicular decorrente do sistema de armazenamento de energia (bateria de alta tensão);
  • Alteração na distribuição de massa e redução da altura do centro de gravidade devido ao posicionamento da bateria no assoalho;
  • Diferentes excitações dinâmicas associadas à entrega instantânea de torque;Requisitos específicos de NVH (“Noise, Vibration and Harshness”), em função da ausência de ruído de powertrain convencional.

Esses fatores são considerados no processo, levando à definição de curvas de amortecimento (força vs. velocidade), taxa de amortecimento , características de compressão e retorno, bem como integração com molas, batentes e barras estabilizadoras.”

No final das contas, o amortecedor é desenvolvido e validado pelos fabricantes sempre pensando na aplicação. O tipo de motorização é apenas um dos fatores da conta.

E na hora da reposição?

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Modelos que vendem bem já possuem a peça com preços mais acessíveis (Foto: BYD | Divulgação)

Com essas informações o caro leitor já deve saber o que esperar na hora que for precisar trocar o amortecedor em seu carro elétrico. O valor da peça não difere muito do cobrado por um carro a combustão do mesmo segmento.

Como alguns modelos elétricos venderam em menor quantidade ou são de marcas com presença menor no país, o preço pode ser maior por causa da disponibilidade. Porém nos carros mais populares, como os da BYD, os valores não fogem muito da média.

Quando for trocar a recomendação é de usar sempre peças originais. Eduardo Zambelli ressalta que peças paralelas não homologadas pelo fabricante podem não reproduzir as características originais.

Os amortecedores são umas das peças que não possuem durabilidade fixa, ela depende do uso e da forma que o motorista dirge. Nos carros elétricos é igual, assim como os cuidados.



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