Carros blindados exigem mais cuidados na hora da manutenção

O Brasil fechou 2025 com o registro de 42.800 carros blindados vendidos, colocando o nosso país como líder nesse tipo de solução no planeta. Ter essa proteção no veículo traz junto gastos maiores na manutenção do veículo.

O motivo disso está no peso adicional proveniente da blindagem, que acelera o desgaste de alguns componentes. Além disso, é preciso ter alguns cuidados adicionais, pois é como se o carro estivesse rodando sempre carregado.

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Atenção com os pneus

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Especialistas em blindagem recomendam usar a pressão indicada para carga máxima (Foto: Pirelli | Divulgação)

Existem nos carros indicações de qual pressão é preciso usar nos pneus; ela vem no manual ou em uma etiqueta que pode estar no batente da porta do motorista ou na tampa do tanque de combustível. Ela aponta os valores usados com o veículo vazio ou com ele carregado.

Segundo Fábio Raymundo, gerente de pós-vendas da Avallon Blindagens, a indicação que dão para os clientes é a de usar a calibragem para carga máxima. Não é necessário ir além dessa indicação, segundo o especialista.

Como fica o índice de carga?

Os pneus também trazem o índice de carga, que fica descrito por dois números nas medidas logo após o diâmetro da roda. Esse dado aponta quantos quilos cada roda pode suportar com segurança.

Para Fabio Magliano, consultor de treinamentos e produtos da Pirelli para a América Latina, a alteração do índice de carga deve ser estudada, pois não existe uma regra para isso:

É necessário verificar quanto peso foi acrescentado pela blindagem, como esse peso está distribuído entre os eixos e se a capacidade de carga dos pneus originalmente especificados continua adequada ao peso final do veículo ou não. Caso essa capacidade permaneça dentro dos limites previstos para o pneu, a troca por um índice de carga superior não é necessária.”

Ele indica mudar o índice de carga do pneu apenas se o peso do carro somado ao da blindagem ultrapassar o índice original. Não existem no mercado brasileiro pneus específicos para carros blindados.

Fábio Raymundo, da Avallon Blindagens, aponta que são oferecidas soluções para manter a mobilidade do veículo em caso de furos. A mais comum é chamada de Run Flat (ou cinta de proteção), que é uma cinta instalada na parte interna da roda. Ela evita que o pneu se desloque quando estiver vazio, permitindo que o motorista saia de uma situação de emergência.

A suspensão é a parte que mais sofre

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O peso adicional irá acentuar o desgaste da suspensão, principalmente dos amortecedores e buchas (Foto: Shutterstock)

O peso adicional da blindagem acaba acelerando também o desgaste nos componentes da suspensão e da direção. Esses componentes serão mais exigidos do que em um carro similar sem a proteção balística.

O mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário do Pitucha Centro Automotivo, aponta que os amortecedores, os coxins dos amortecedores e as buchas da suspensão são as peças que mais sofrem.

Como não existe uma vida útil padronizada para essas peças, o ideal é sempre pedir para o mecânico conferir durante as revisões. Rodar com a suspensão danificada é perigoso.

A blindagem pode dificultar também a vida do mecânico

O aumento de peso em um carro blindado é proporcional ao seu tamanho. Os mecânicos precisam ficar atentos a esse detalhe para garantir que o elevador dará conta de erguer o veículo com segurança.

Ludovico Ballesteros comenta que também é preciso tomar cuidado na hora de colocar o carro no elevador para não torcer a carroceria; isso pode quebrar o vidro. Após a blindagem, essa peça fica mais sensível a torções.

Os gastos adicionais do proprietário não acabam após blindar o carro. As contas de manutenção também serão mais salgadas.



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