CFMOTO Ibex 450: principais reclamações não são sobre qualidade
A CFMOTO Ibex 450 é a moto mais vendida da marca chinesa no Brasil, com 1.375 unidades emplacadas até setembro, segundo a Fenabrave. Porém, também é o modelo que mais aparece nas reclamações contra a marca no Reclame Aqui, onde a CFMOTO tem hoje reputação “Regular”, com nota 6,8.
Como o AutoPapo mostrou, a reputação da CFMOTO na plataforma caiu de “Bom” para “Regular” desde que a marca começou a vender motos no país, em maio de 2026. Para entender o que está por trás da queda, reunimos as principais queixas sobre a trail, das falhas no sistema de reservas aos problemas relatados por quem já tem a moto na garagem.
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Das 128 reclamações que a nova marca chinesa tem no site, apenas 17 (13,28%) correspondem a problemas de “baixa qualidade”, e claro que nem todos são sobre a IbeX 450. Apesar de problemas expressivos ainda não terem sido relatados, com as reclamações é possível entender com o que os proprietários lidam atualmente.

Maior queixa é conseguir comprar a moto
A maior parte das reclamações vem de quem tenta comprar a Ibex 450 e não consegue. A própria CFMOTO afirmou ao AutoPapo que “a imensa maioria das reclamações que recebemos não se refere a defeitos de produto ou a problemas de pós-venda”, mas a consumidores que não conseguiram reservar.
A moto é vendida apenas em lotes, com reserva pelo site e pagamento do sinal de R$ 2.000 via Pix, e os lotes esgotam em poucos minutos. Desde julho, consumidores relatam que o QR Code do Pix não é gerado na hora do pagamento e que a reserva se perde. O problema voltou no lote de 5 de outubro, adiado por uma falha no banco de dados.
Um consumidor de Londrina (PR) conta que recebeu e-mail confirmando a pré-reserva, mas não conseguiu pagar, e depois foi informado de que ela havia expirado. Na resposta, a CFMOTO atribuiu a falha ao volume de acessos simultâneos e afirmou que a reserva só se confirma com o pagamento dentro do prazo.
Um cliente do Rio de Janeiro que diz ter tentado todos os lotes reclamou de motos revendidas por mais de R$ 40 mil, acima do preço oficial de R$ 35.990. A CFMOTO respondeu que não trabalha com fila de espera e que as unidades são vendidas apenas em lotes pelo site oficial. Ou seja, a falta de oferta de modelos já virou até mercado paralelo.
Donos relatam problemas no pós-venda
As queixas de quem já tem a moto ainda são minoria, mas começaram a se acumular à medida que mais unidades chegam às ruas. Boa parte delas esbarra no tamanho da rede de concessionárias.
Garantia exige revisão em rede que só existe em oito cidades
O termo de garantia da CFMOTO determina que as revisões periódicas sejam feitas em uma concessionária autorizada de motocicletas da marca. Hoje, essas lojas ficam em apenas oito cidades, todas no Sul e no Sudeste: São Paulo, Campinas e Piracicaba (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Porto Alegre e Caxias do Sul (RS).
Um dono de Ibex 450 de Sete Lagoas (MG) precisava fazer a revisão de 1.000 km e esbarrou nessa regra. Para ele, as concessionárias de motos mais próximas ficam em São Paulo ou no Rio de Janeiro, a cerca de 600 km.
O consumidor disse que poderia trocar o óleo por conta própria, seguindo o manual, mas perderia a garantia. Na resposta, a CFMOTO confirmou que a manutenção fora da rede autorizada “poderá impactar a cobertura da garantia” e listou as oito cidades. O dono encerrou a reclamação como não resolvida, deu nota zero ao atendimento e disse que não voltaria a fazer negócio com a marca.

Peça da Ibex 450 não chega após quase três semanas
Em Adrianópolis (PR), um comprador do terceiro lote, reservado em 27 de julho, recebeu a moto em 4 de setembro. Segundo ele, o vazamento de óleo apareceu nos primeiros 50 km da viagem de 968 km até sua casa. O vendedor teria atribuído o problema a excesso de óleo na corrente.
Na revisão de 1.000 km, feita em 11 de setembro, o dono relatou o vazamento. A concessionária ficou com a moto em 18 de setembro e identificou falha em uma mangueira de óleo, mas, até 7 de outubro, a peça ainda não havia chegado da fábrica. O consumidor afirma que pensa em devolver a moto e pedir o dinheiro de volta.
O Código de Defesa do Consumidor dá ao fornecedor 30 dias para sanar um vício do produto. Depois desse prazo, o comprador pode exigir a troca, a devolução do valor pago ou um abatimento no preço. Em resposta publicada em 9 de outubro, a CFMOTO pediu ao cliente que informasse em qual concessionária a moto está para acompanhar o caso.
CFMOTO nega garantia para bengala com corrosão
Em Governador Valadares (MG), outro dono encontrou corrosão no tubo interno da bengala dianteira com cerca de 1.500 km rodados. O problema foi identificado por um mecânico de confiança durante uma lubrificação preventiva. Segundo o consumidor, o ponto fica em uma área protegida da suspensão invertida e não apresenta sinais de impacto, queda ou mau uso.
O tubo interno é a superfície por onde correm os retentores da suspensão. Por isso, o dono teme que a irregularidade desgaste essas vedações e, mais adiante, provoque vazamento de óleo. Ele reconhece que não fez a revisão de 1.000 km na rede autorizada, mas pediu que a marca avaliasse a possibilidade de vício oculto, inclusive de corrosão ocorrida durante o transporte da moto.
A CFMOTO negou a substituição em garantia. Segundo a marca, a mancha é localizada e não tem características de falha na cromagem, como bolhas, descascamento ou trincas. A empresa também afirmou que a peça foi desmontada e lixada por uma oficina não autorizada, o que alterou a superfície e impediu determinar a origem do problema. A negativa, segundo a marca, não se baseou apenas na falta da revisão.
O consumidor contestou e pediu o laudo técnico completo. Ele lembrou que a concessionária autorizada mais próxima fica a mais de 600 km e pediu avaliação na sua região ou o custeio do transporte. Caso a negativa seja mantida, afirma que levará o caso ao Procon.
Moto zero chega com defeito e sem documentação
Em Assis (SP), um comprador que tentava a moto desde o segundo lote conseguiu a Ibex 450 no quarto, pela concessionária Virage, de Piracicaba (SP), a cerca de 370 km de sua cidade.
Com menos de 100 km rodados, a moto apresentou luz da injeção acesa, marcha lenta oscilando entre 1.500 e 2.100 rpm em neutro e parafusos dos protetores de mão soltos, e um deles se perdeu. Ele também diz que não consegue emplacar a Ibex por causa de uma pendência no RENAVE, sistema que registra a venda de veículos novos. Até 9 de outubro, a reclamação não tinha resposta.
Marca resolve garantia por conta própria em um dos casos
Há também caso em que a CFMOTO agiu para evitar prejuízo ao cliente. Um comprador de São Paulo retirou a Ibex 450 em 11 de setembro e não conseguia ativar a garantia, porque o sistema informava que o chassi da moto não existia. Pelo manual, a ativação deve ser feita até a quinta semana após o faturamento, e o prazo estava acabando.
A CFMOTO respondeu no dia seguinte que faria a ativação internamente e que o cliente não seria prejudicado. Em 1º de outubro, confirmou que a garantia estava ativa, mas que os dados só apareceriam no site depois que a concessionária concluísse os registros da venda.
Queixas seguem chegando
As reclamações continuaram nos dias seguintes. Entre 11 e 13 de outubro, a página da marca recebeu queixas com os títulos “Minha moto zero km apresenta falhas graves no ABS e velocímetro” e “Não recebi o chassi da minha CFMOTO IBEX 450 após dois meses da contemplação”. Também apareceu a de um cliente de Visconde do Rio Branco (MG) cuja moto, comprada por consórcio, não é liberada por falta de pagamento da “âncora”. Nenhuma delas tinha resposta até a última consulta.
O que diz a CFMOTO
Ao AutoPapo, a CFMOTO já havia afirmado que tem o compromisso de responder a todos os questionamentos dos clientes e que verifica cada caso individualmente até a solução. A marca diz estar em “plena expansão no Brasil”.
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